Wednesday, October 19, 2005

 
E no dia 15 de Agosto quando os navios estavam em alto-mar, na altura da Costa de Andaluzia na Espanha, Antônio da Costa sob o protesto de estudar a melhor rota, chamou a seu navio os pilotos e mestres de todas as embarcações da frota, inclusive o capitão e os oficias do Peregrina, que ao chegarem a bordo da naú capitaneia, os franceses foram imediatamente presos.
A espetacular captura da Peregrina estremeceu as relações entre Portugal e a França no que concerne ao Brasil, pois o Rei Dom João III ao ser informado da missão realizada pela naú francesa em Pernambuco, concluiu junto aos seus acessores que todas as ações repressivas e os vários tratados que tinham firmado com os franceses não haviam sido suficiente para impedir o assedio dos traficantes de pau-brasil ao litoral brasileiro. Como todos os acordos e ameaças tinham redundado em fracasso, o rei e seus conselheiros perceberam que só lhes restava uma solução: colonizar o Brasil. Com isto iria iniciar-se o período das Capitanias Hereditárias. Com as experiências testadas no próprio territorio luso especificamente no Alentejo e no Algarve, após a reconquista junto aos Mouros e no século seguinte quando transformaram as Ilhas dos Açores e da Madeira no Atlântico e a partir de 1470 nas Ilhas de São Tomé, Príncipe e Fernando do Pó em frente a Costa da Guiné na África Equatorial em protótipos de sua experiência colonial e devido ao sucesso alcançado nas ilhas os portugueses fundaram em 1482 seu primeiro grande estabelecimento colonial no continente africano a chamada Casa da Mina erguida em Gana que logo se transformou em um poderoso entreposto comercial fortificado e a partir do Castelo da Mina e da Ilha de São Tomé, os portugueses lançaram as bases de um rendoso trafico escravagista. E somente entre Março de 1534 e Fevereiro de 1536, que a implantação da colonização ultramarina se iniciou nos trópicos no vasto territorio localizado na margem oriental do Atlântico que estava virtualmente abandonado, entregue nas mãos de náufragos e degredados portugueses e espanhóis e intensamente percorridos por traficantes franceses de pau-brasil é que o Brasil foi dividido em vastas áreas chamadas de Donatárias ou Capitanias Hereditárias que se prolongavam até a linha estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas. Ao contrario do que ocorrera no reino e nas Ilhas do Atlântico, desta vez não houve interesse dos infantes, duques ou condes em receber as imensas e selvagens extensões que deveriam ser colonizadas com recursos próprios, os quinze lotes que perfizeram doze capitanias acabaram nas mãos dos membros da pequena nobreza e dos doze capitães-donatarios agraciados com terras no Brasil, sete eram conquistadores que haviam lutado na Índia e na África, quatro eram funcionários graduados da corte e o caso restante é o de Pero de Gois, que não lutará na Índia nem na África, porem quando chegou ao Brasil em 1531 era um dos capitães da expedição de Martins Afonso de Souza, dos doze donatários somente quatro haviam estado anteriormente no Brasil e ao todo, apenas oito iriam tomar contato pessoal com as terras que receberam e quatro capitães-donatarios jamais puseram os pés na colônia. Do rei, os donatários não recebiam mais do que a própria terra e os poderes para coloniza-la, a tarefa se revelaria demasiadamente pesada e não de se estranhar, portanto que apenas duas das doze capitanias tenham florescido que foram as de Pernambuco e São Vicente. O crescimento dessas capitanias foi fruto quase exclusivo da ação de homens que se viram abandonados no longínquo Brasil. O fracasso do projeto como um todo, não impediu que o legado das Capitanias Hereditárias fosse duradouro, a estrutura fundiária do futuro país, a expansão da grande lavoura canavieira, a estrutura social excludente, o trafico de escravos em larga escala, o massacre dos indígenas: tudo isso se incorporou a Historia do Brasil após o desembarque dos donatários.

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